
Vou postar o texto que fiz sobre Ivan Pinheiro Machado para a aula de Técnicas de Reportagem e Formas Narrativas do professor Juremir Machado.
Entrevista
“Caricatura de um Miserável”
Um revolucionário, surgido do acaso, tornou uma simples idéia em uma editora renomada no Brasil
Gustavo Fagundes
Um jovem, que dedicou bons anos no Colégio Aplicação, com uma formação excelente. Ivan Pinheiro Machado salienta que o colégio, com sua educação diferenciada e com aulas em dois turnos, fez com que ele se tornasse o homem que é hoje, por ser um colégio extremamente posicionado em uma boa educação. Assim que escolheu o rumo que seguiria em sua vida ou, ao menos, imaginava que iria seguir. Arquitetura era, e ainda é, algo que dava prazer para Ivan, porém optou por uma carreira menos confiável. Então Ivan, com 21 anos, cursando a faculdade de arquitetura da UFRGS estava no meio dos conflitos em plena ditadura. “Até, a cavalo, entraram lá dentro da faculdade de arquitetura” comenta Ivan. Ao mesmo tempo, ele trabalhava na Folha da Manha, junto com o desenhista Edgar Vaz. A partir daí, Ivan, Paulo Lima, conhecido da faculdade, e Edgar Vaz resolvem fechar a agencia de publicidade que tinham e colocam em pratica a idéia. As histórias de um personagem, criado por Edgar, faziam sucesso na época por ser sarcástico e polêmico. Em meio às turbulências surge a idéia de fazer um livro do Rango. “Era uma espécie de uma caricatura de um miserável”. Embarcaram nesse sucesso do Rango, criam uma editora para lançar o livro com tiras. A partir disto vem a idéia de levar até o Erico Veríssimo pedir para ele escrever um prefácio. Mais tarde Ivan é detido pela policia federal por causa do Rango. A frase que salvou o livro foi feita por Erico. “Recomendo este livro com maior entusiasmo”. Assim o livro passo pelo crivo da policia e pode ter a circulação. Ivan relata que hoje, ele acha graça do que fez no passado, naquela época conturbada. “Um amigo meu, Darcy Ribeiro, me disse uma frase que eu nunca esqueci: “As coisas acontecem pela inciência da juventude”’.
A irresponsabilidade fez com que eles conquistassem um espaço necessário para seguir em frente com a editora. O nome dado para a editora foi L&PM Editores (surgiu dos sobrenomes: Lima e Pinheiro Machado). Mesmo com as dificuldades da repressão, como apreensão de livros e censura, conseguiram seguir em frente. Com pouco dinheiro e com dividas, seguem outro rumo frente à editoria de livros. Decidem criar a linha L&PM Pocket, inspirado nos livros de bolso na Europa e América, visando o futuro da literatura. Sofreu mas conseguiu realizar o projeto. “Eu tenho muito orgulho de dizer que não é uma jogada comercial, ele era um fruto de uma filosofia, de um projeto, muito bem centrado que a gente sabia aonde queria chegar, tanto na questão do conteúdo quanto o produto que queria passar”. Hoje, é uma das editoras renomadas do Brasil, pela sua alta qualidade de material de impressão e de tradução. Contando com a perspectiva de vendas, sem que haja estoque, fazendo com que os livros fiquem mais baratos. Assim faz com que popularização da leitura das grandes obras e dos livros. Assumindo um papel involuntário de popularizar a leitura e educar as pessoas. “Não tenho orgulho de dizer que faço esse papel”. O padrão de publicações é variado, mas uma das salientas que faz muito seu gosto é a de auto-ajuda, pois para ele tomou o lugar da ficção. Porém, Ivan diz que entre ter e não ter em uma livraria este estilo de leitura, ele prefere que tenha os livros de auto-ajuda. Outra base editorial forte é de manter a busca por escritores, procura por propostas de livros. “Nenhuma editora pode esperar que um autor vá bater na sua porta com um grande livro” Por isso a L&PM tem seus projetos próprios e busca outros autores. Sendo muito difícil chegar um escritor e pedir para publicar seu livro. “Sabe quantos livros foram escritos dessa forma? Um! Mas era uma historia sensacional de um cara que não chegou à ponta do Everest”. Uma peculiaridade foi que o livro de bolso era mal visto pelos autores, por não funcionar no Brasil. Esse fato elevou a L&PM Editores. Demorando oito anos para que houvesse uma concorrência.
Perguntado sobre a vontade de escrever um livro por estar no meio literário, Ivan foi categórico ao dizer: “Se eu tivesse (escrito um livro), eu já teria desistido” (risadas). Afirmou nunca ter essa vontade, pois ele gosta é de ler. Quando a pergunta foi sobre a maneira em que ele coloca livros longos em versões de bolso, Ivan afirma que jamais cortaria partes do livro para adaptar em suas edições. Dando exemplos de livros longos que entraram nas versões pocket dividido em partes. Outro assunto levantado foi os suportes para livros digitais, se a editora iria se adaptar ou não? Ivan diz: “Meu trabalho permanece o mesmo, quem tem que se preocupar são as gráficas e os papeleiros”. Essa teoria é justificada quando se pensa que o conteúdo feito pelas editoras continuará sendo produzida. Mas o suporte da L&PM evoluirá assim que for necessário, sem pressa. Por tanto Ivan Pinheiro Machado mostra que se adapta e evolui junto com sua editora ao longo dos tempos, sempre sendo um “revolucionário sem causa”.
Comentem se gostaram ou não, agradeço.
Recebi a nota, foi 10. (hehe)
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